TCM aponta novas suspeitas no concurso da Câmara de Goiânia
A Secretaria de Controle Externo do Tribunal de Contas dos Municípios do Estado de Goiás (TCM-GO), que analisa denúncia de possíveis irregularidades no concurso da Câmara Municipal de Goiânia, recomendou a suspensão parcial do certame. Um despacho técnico do órgão aponta indícios de vínculo de outras duas candidatas -- além de Luã Lírio de Souza Cruz, classificado em 1º lugar para o cargo de administrador -- com a banca organizadora, o Instituto Verbena da Universidade Federal de Goiás (UFG). Ainda não houve decisão cautelar do conselheiro relator, Humberto Aidar, sobre a suspensão do concurso.
No dia 1º de abril, o Daqui mostrou que o Ministério Público de Goiás (MP-GO) recebeu duas notícias de fato com indícios de conflito de interesse no concurso público regido pelo Edital nº 01/2025 da Câmara de Goiânia. Os documentos dissertam sobre a situação de Luã Lírio. Ambas as denúncias possuem os mesmos materiais, mas uma chegou de forma anônima e a outra, encaminhada pela própria Câmara de Goiânia. Chamou atenção a nota de Luã Lírio, com pontuação de 96 em um máximo de 100 pontos possíveis.
O documento da Secretaria de Controle Externo do TCM-GO é do dia 14 de abril e também trata-se de uma denúncia, acompanhada de pedido de medida cautelar, em face de indícios de irregularidades no certame. Conforme o documento, a apuração preliminar apontou que Luã Lírio mantém vínculo profissional com a banca organizadora, atuando no Instituto Verbena, tendo inclusive recebido valores durante o período de realização do concurso. Tal circunstância configura, em tese, conflito de interesses e possível vantagem indevida, comprometendo a lisura e a isonomia do certame.
Outras suspeitas
Verificou-se, ainda, que os indícios não se restringem a Luã Lírio, havendo suspeitas de que outros participantes também possuam vínculos diretos ou indiretos com a banca organizadora, "o que pode indicar um quadro mais amplo de comprometimento da imparcialidade do concurso". O certame ainda destaca que "embora esses vínculos ainda não estejam totalmente delimitados, os elementos disponíveis sugerem a necessidade de apuração aprofundada pelos órgãos de controle".
Um caso citado na denúncia é o de Janyelle Pereira da Mata. Segundo o documento do TCM, ela atuou como assessora de comunicação e jornalista, além de ter participado da coorganização de publicações oficiais e da revisão de linguagem do planejamento estratégico da instituição. Ela se candidatou ao cargo de Analista de Comunicação. Também é mencionada a candidata Letícia de Araújo Bernardes, que exercia função remunerada e de confiança no Verbena simultaneamente à sua inscrição em concursos organizados pela entidade.
Além do TCM-GO, o caso também é investigado pela 78ª Promotoria de Justiça de Goiânia. Em nota, o Instituto Verbena afirmou que criou diversas medidas de segurança e controle para garantir rastreabilidade, transparência e conferência de todas as etapas do concurso. E que afastou colaboradores para evitar conflito de interesses.
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