Primeiro goiano presidenciável
É também o único que estará pela segunda vez na disputa presidencial, assim como é o único político de Goiás que terá enfrentado o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) duas vezes, em 1989 e em 2026. Para quem gosta de se autopromover dizendo que seu governo é o primeiro colocado em tudo (educação, saúde, segurança, programas sociais etc.), sem apresentar indicador objetivo para comparação (à exceção do ensino médio, primeiro lugar no Ideb), Caiado pode comemorar.
Em 1989, aos 39 anos de idade, ele disputou a presidência da República pelo PSD, não o atual, mas outro, criado em 1987 por Cesar Cals, ex-ministro das Minas e Energia do general João Batista Figueiredo. Nesta segunda-feira (30), Caiado teve sua candidatura presidencial confirmada, coincidentemente, pelo PSD, este agora formado em 2011 pelo ex-prefeito de São Paulo Gilberto Kassab.
Por que o PSD escolheu Caiado em vez do governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite? Por uma soma de fatores. O partido testou entre os eleitores brasileiros as características mais relevantes em um presidenciável e, segundo o cientista político Antônio Lavareda, do Ipespe, instituto de pesquisa que presta consultoria ao PSD, preparo e experiência lideraram o ranking. Caiado tem um currículo mais robusto do que seu adversário interno, com cinco mandatos de deputado federal, um de senador e dois de governador. Mostra-se mais preparado e experiente, na visão de Kassab.
Pesquisa Quaest de agosto revelou 88% de aprovação de Caiado e 58% de Leite. Isso pesou a seu favor. O "conselho de notáveis" do PSD entendeu que o gaúcho não é majoritário no Rio Grande do Sul como Caiado, em Goiás. Aliás, Eduardo Leite terá dificuldades de fazer seu sucessor. Por fim, a firmeza e a clareza do discurso do goiano completaram a avaliação que levou a seu nome.
Há quem acredite que Kassab quer dar uma guinada no partido. Desde a redemocratização apenas dois partidos disputaram a eleição presidencial para ganhar. O PT contra o PSDB, durante a polarização entre petistas e tucanos, e agora PT contra o PL. Os partidos do Centrão nunca entraram para valer, mas para negociar com o governante eleito, seja ele qual fosse. Foi assim, por exemplo, em 2022 quando UB e MDB lançaram, respectivamente, as candidaturas das senadoras Soraya Thronicke e Simone Tebet com este propósito.
O PSD foi o partido que mais elegeu prefeitos em 2024 e agora Kassab estaria disposto a firmá-lo também no plano nacional, por isso precisa ter uma nova postura nesta eleição. Difícil saber se isso é fato ou encenação política. Aliás, o evento de lançamento de Caiado nesta segunda na sede do PSD, em São Paulo, foi bem frio para um partido que promete atuar para romper a polarização entre Lula e Bolsonaro. Ainda levará um tempo para entender qual é a jogada de Kassab, tratado como um "mago" da política, se é disputar ou encenar.
Seja como for, Caiado não entrou para brincar. Uma coisa precisa ser dita a seu favor. Ele carregou sozinho sua pré-candidatura desde 2023. Já naquele ano iniciou suas andanças pelo país, intensificadas em 2024 e em 2025, tentando convencer o União Brasil a apoiá-lo. Como gosta de ser o "mais" em tudo, Caiado pode dizer que ele é o candidato que mais lutou por este projeto eleitoral. Afinal, Flávio ganhou sua candidatura de presente do papai e Lula é candidato natural à reeleição.
A obstinação e a dedicação do governador não lhe abriram vaga no União Brasil, mas sua persistência deu resultado por uma combinação de acerto político (a troca do UB pelo PSD no final de janeiro) com um episódio fortuito, a desistência do governador do Paraná, Ratinho Júnior, preferido de Kassab, de disputar a presidência da República. Deus ajuda quem cedo madruga.
O governador venceu uma batalha, só que o mais árduo está por vir. Lula e Flávio somam cerca de 80% das intenções de votos na maioria das pesquisas eleitorais. A faixa livre para Caiado é estreitíssima. Ele, contudo, conseguiu um palco para defender suas ideias e para lutar para ser o primeiro presidente da República goiano. Improvável, mas em política não existe o impossível.
Correção : Este texto foi alterado para corrigir a informação de que Ronaldo Caiado foi o único goiano a disputar a presidência da República. Em 2018 o também goiano Henrique Meirelles foi candidato pelo MDB.
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