Em tom de candidato, Caiado desafia petista e fala em romper bolha
Apesar de ainda aguardar a definição do PSD sobre o nome do partido que disputará a Presidência da República, o governador Ronaldo Caiado voltou a falar como candidato na manhã desta quinta-feira (26), até "desafiando" o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e reforçando comparações entre eles e suas gestões.
"Vamos ver quem é que tem aí 40 anos de vida pública, não tem uma mácula, vamos ver quem é que tem realização. Por exemplo: o Lula falava de programa social. Eu quero desafiar ele", afirmou Caiado durante a abertura do 3º Encontro Nacional de Comitiva de Muladeiros, mencionando os benefícios sociais do Estado e a atuação das forças de segurança.
No evento, no Parque de Exposições Agropecuárias de Goiânia, o governador voltou a falar na quebra da polarização entre Lula e o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato a presidente pelo PL, afirmando que as "bolhas foram feitas para serem rompidas" e rejeitou haver "bolha consolidada". Caiado indicou novamente que a candidatura presidencial do PSD terá "independência", sem "vinculações".
"Não se pode identificar ou querer projetar um resultado embasado numa perspectiva que os candidatos não debateram. Não teve debate. A população não teve oportunidade de ver. Então, o diferencial não é, às vezes, o que as pessoas acham, mas é aquilo que cada um vai se apresentar. É um concurso público, e que a sociedade vai avaliar cada um", afirmou o goiano, para completar: "Essa é que é a beleza. Não tem carta marcada, candidato de colete. 'Esse aqui já é o presidente, aquele ali já é isso'. Não. É o jogo jogado. É o que eu quero entrar nele."
O governador direcionou as primeiras palavras do seu breve discurso, de cerca de cinco minutos, para dizer que "teme a Deus e se ajoelha para Deus", mas que enfrenta a "dificuldade, bandido e corrupto" com o "peito aberto" - sem citar nomes na crítica.
"É na luta, superando dificuldade, e a independência de poder assumir nossas posições claras de defesa daquilo que nós acreditamos. Mas para dificuldade, para bandido e para corrupto nós enfrentamos é de peito aberto, para dizer que esse Brasil não dá espaço mais para ser governado para quem não tem autoridade moral de estar à frente do cargo", afirmou Caiado.
Questionado sobre a rodada de entrevistas concedidas na quarta-feira (26) pelo governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSD), nas quais o gaúcho disse que é "vivamente candidato" e que Caiado não representaria uma direita de centro, o goiano afirmou respeitar Leite e ressaltou a proximidade com ele sobretudo durante as enchentes no Rio Grande do Sul, em 2024, e, agora, em meio ao processo de escolha do pré-candidato do PSD ao Palácio do Planalto.
"A decisão será tomada por um colegiado. Este é o acordo que nós fizemos. Não serei eu que vou opinar sobre o critério, mas sim o presidente do partido que elegeu um conselho, um conselho esse constituído por mais seis membros, com eles sete membros. E este conselho é que definirá quem deverá ser o nome a levar a bandeira do PSD à Presidência da República", afirmou Caiado.
O goiano voltou a evitar a confirmação que será o escolhido pela sigla, dizendo que o anúncio oficial deverá ser feito pelo presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab, na próxima semana, após a deliberação do conselho da legenda. "Então, este assunto não fica a critério nosso. Cabe a nós ouvirmos o que o conselho deliberará, acredito que na noite de domingo e anunciando na segunda-feira", destacou.
Como mostrou O POPULAR, o conselho político do PSD designado para ajudar na definição do candidato afirmou que se reuniu ainda na segunda (23) e foi favorável por unanimidade ao nome de Caiado, após a desistência do governador do Paraná, Ratinho Jr, de concorrer à Presidência . Um dia depois, na terça (24), Caiado esteve no apartamento de Kassab, em São Paulo, por cerca de quatro horas.
Perguntado sobre a possibilidade de uma chapa puro sangue à Presidência com Leite ou mesmo com o próprio Kassab, Caiado rejeitou as hipóteses. "Ele (Leite) também se colocou na posição de que ele não é candidato a vice, como eu também respeito e eu também não me coloco nessa condição." E respondeu sobre Kassab: "Não, esse assunto nós não discutimos. Nós estamos discutindo a primeira etapa. Degrau a degrau, vamos lá", afirmou.
Caiado disse que "aquilo que foi feito em Goiás pode ser feito no País afora", elencando a Educação, a Saúde, a segurança pública e o agronegócio como as áreas bem-sucedidas de sua gestão. Mais cedo, em entrevista coletiva, Caiado havia citado Lula em suas falas ao fazer comparações das gestões e ao reforçar a colocação de que ninguém além dele "tem mais vontade de ser presidente" - vontade que, em suas palavras, seria acompanhada do "mesmo espírito público de governador de Goiás".
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