Desenho em viaduto provoca polêmica entre Luciano Hang e Smith Art
O viaduto Iris Rezende Machado, na região Noroeste de Goiânia, virou palco de um alvoroço nas redes sociais nesta semana. De um lado, o empresário e dono da rede Havan, Luciano Hang, que publicou um vídeo nas redes sociais na terça-feira (10), classificando um desenho no local como vandalismo. Ao mesmo tempo, o artista Smith Art Tattoo, responsável pela pintura, se manifestou e afirmou que se trata de uma expressão artística.
Parte do muro do viaduto havia sido pintada no fim de janeiro por Hang e pelo prefeito de Goiânia, Sandro Mabel (UB), pouco antes da inauguração de uma unidade da Havan na cidade. Posteriormente, a Prefeitura concluiu a pintura do viaduto. No vídeo divulgado nas redes sociais, Hang classificou a ação como criminosa, mostrou que o local já foi pintado novamente e que o desenho foi coberto, e pediu a políticos o endurecimento das leis de combate à pichação, com a aplicação de penas mais graves, inclusive prisão.
Em nota, a assessoria da Havan classificou a ação como "vandalismo" e disse que "quando uma cidade está limpa, sem essa poluição visual, as pessoas vivem melhor". Em um texto escrito em primeira pessoa, disse ainda que se o homem realmente "se considera um artista, em vez de pichar patrimônio público, que coloque sua obra em uma tela e tente vendê-la para ver se consegue viver da própria arte".
O que a lei diz
A pichação de edificação ou monumento urbano é classificada como crime ambiental no Brasil, conforme o artigo 65 da Lei nº 9.605, de 1998 -- a Lei de Crimes Ambientais. A pena prevista é de detenção de três meses a um ano, além de multa. No caso de monumento ou coisa tombada em virtude do seu valor artístico, arqueológico ou histórico, a pena é de seis meses a um ano de detenção e multa.
Naquele caso específico, para configurar grafite -- prática que não é criminosa -- seria necessária autorização da Prefeitura. Conforme o próprio Smith, antes de pintar o local ele fez uma consulta em uma ferramenta de inteligência artificial, que respondeu que não era proibido fazer grafite em espaços públicos. "E gerou tudo isso", diz.
A reportagem questionou a Prefeitura se havia autorização da gestão municipal para que o grafite fosse feito no local e qual foi o acordo entre a Prefeitura e a Havan em relação à pintura e à manutenção do viaduto, mas não obteve resposta até o fechamento desta edição.
Após a publicação do vídeo, em tom de indignação, Smith defendeu, nas próprias redes sociais, que grafite não é pichação, mas uma forma de arte urbana. "Transforma a cidade em uma galeria a céu aberto. Uma expressão cultural que dá voz e identidade às ruas", disse o artista em um vídeo gravado no Beco da Codorna, principal espaço de Goiânia onde essa forma de arte é reconhecida. Smith ainda afirmou que, na verdade, a prática também se configura como uma forma de protesto.
No vídeo divulgado nas redes sociais, Hang afirmou que pretendia adotar medidas legais. Ontem, Smith foi chamado pela Polícia Civil (PC-GO) para prestar esclarecimentos. À reportagem, ele relatou que foi lavrado um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), com base no artigo 65 da Lei de Crimes Ambientais, e que tem uma audiência marcada para daqui a um mês na Justiça.
Segundo Smith, ele já foi abordado pela polícia outras vezes e, mesmo assim, pretende continuar deixando suas marcas pelas ruas da capital. "Aqui é resistência", frisou o artista, que relatou que, após a exposição feita por Hang nas redes sociais, passou a receber diversas mensagens ofensivas e ameaçadoras.
A reportagem entrou em contato com a polícia para verificar se os envolvidos na questão já haviam procurado as forças policiais, mas não obteve resposta.
Mais Notícias
Esteja sempre atualizado sobre os principais acontecimentos
Desenho em viaduto provoca polêmica entre Luciano Hang e Smith Art
Após dura crítica de Luciano Hang nas redes sociais, Smith Art Tattoo diz que ação é expressão artística e não vandalismo Saiba mais
Taxa de pedido mínimo no iFood é mantida pela Justiça de Goiás
Segundo a empresa, 94% dos restaurantes parceiros da plataforma utilizam o pedido mínimo, sendo que mais de 75% deles são pequenos e médios negócios Saiba mais