Preço do diesel dispara e afeta transportes de mercadorias
Os efeitos da guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã já chegaram a Goiás. Em uma semana, distribuidores de combustível já elevaram o litro do óleo diesel em mais de 40% no atacado, o que fez o preço máximo ao consumidor atingir até R$ 8,99 no interior do estado. Além disso, os pedidos estariam sendo restringidos. Essa situação já levou transportadores e caminhoneiros a fazerem as contas para elevar os preços do frete nos próximos dias.
Produtores rurais do estado também acionaram o Procon contra reajustes de até 60% e até escassez de óleo diesel, em um período crítico de colheita da safra, mesmo sem reajuste por parte da Petrobras. Na última segunda-feira, dia 9, o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo no Estado de Goiás (Sindiposto-GO) divulgou uma nota informando à população que, nos últimos dias, diversas distribuidoras de combustíveis vinham promovendo aumentos expressivos nos preços de venda aos postos revendedores.
De acordo com a entidade, isso ocorreu sem qualquer anúncio de reajuste nas refinarias da Petrobras e, em muitos casos, sem comunicação antecipada aos revendedores. Além dos aumentos nas bases de distribuição, o Sindiposto alertou que os postos de combustíveis têm enfrentado restrições nas entregas por parte de algumas distribuidoras, que vêm limitando volumes ou retardando o atendimento dos pedidos realizados.
"Essa situação dificulta a reposição de estoques e compromete a previsibilidade operacional dos estabelecimentos, justamente em um momento de elevada demanda por combustíveis", diz a nota. Segundo o presidente do Sindiposto, Márcio Andrade, notas fiscais de compra de combustíveis comprovam que as distribuidoras estão aumentando absurdamente o preço e jogando a culpa na guerra.
Nesta terça-feira (10), os preços do petróleo despencaram 11,3%, a maior queda porcentual em uma única sessão desde 2022, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, dizer na segunda que a guerra com o Irã poderia estar próxima do fim.
Além disso, Andrade lembra que só 30% do diesel consumido no País é importado ou é oriundo da produção de refinarias privadas, na Bahia e no Amazonas, que já subiram seus preços. Os outros 70% vem da Petrobras, que não reajustou os preços. "Se a distribuidora compra só 30% de produto importado, não pode aumentar todo estoque como se tudo fosse produto oriundo de impostação", adverte.
Andrade dá o exemplo das notas fiscais apresentadas por um posto de Goiânia, que comprou o litro do diesel por R$ 5,23 no último dia 3 de março e por R$ 6,25 no dia 6 de março, uma alta de R$ 1,02. Mas, ontem, dia 10 de março, o preço já chegou aos R$ 7,40. Isso significa que uma alta acumulada de R$ 2,17 em apenas uma semana.
Como algumas distribuidoras estão aumentando menos que outras, o presidente do Sindiposto recomenda que o consumidor fique atento ao abastecer, pois os preços estão bem variados. "O pior é que, mesmo com preços mais alto, não estão entregando tudo que pedimos. O mercado está bem conturbado em Goiânia, com uma grande oscilação de preços", ressalta. Segundo ele, as altas nos preços da gasolina e do etanol, nesta semana, ocorreram por um motivo diferente do diesel. "Eles estavam sendo alvo de promoções de preços nos postos e alguns já estão voltando aos patamares normais", afirma.
"Além disso, já temos restrição de entrega de produtos. Não creio que chegaremos a ter falta de produto, mas alguma escassez pontual em postos que já venderam todo seu estoque e ainda não conseguiram comprar mais", adverte Márcio Andrade. Em cidades menores, segundo ele, pode haver uma corrida maior, pois são menos postos disponíveis.
Alta no frete
Este cenário já afeta o valor do frete e deve chegar aos preços dos produtos ao consumidor, em breve. Para Paulo Afonso Lustosa, presidente da Federação das Empresas de Carga e Logística do Centro-Oeste, que engloba mais de 20 mil empresas do setor, a única alternativa das empresas é repassar este custo do diesel para o preço do frete. Segundo ele, o setor já convive com uma defasagem de cerca de 10% e qualquer alteração no custo do insumo não tem mais como ser absorvida.
Lustosa explica que o diesel representa 30% dos custos das empresas de carga e logística, mas os reajustes estão variando de 10% a 15%, dependendo da região. Por isso, a estimativa é que o repasse sobre o preço final do frete fique em torno de 3,5%, por enquanto. Ele admite que isso, em algum momento, será repassado aos preços dos produtos para o consumidor, mas ressalta que este repasse deve ocorrer numa proporção bem menor. "Mesmo assim, não deixa de ser aumento", destaca.
Na visão do presidente do Sindicato dos Caminhoneiros Autônomos de Goiás (Sinditac), Vantuir José Rodrigues, essa alta é resultado da venda do controle da BR distribuidora e de refinarias, que regulavam os preços no mercado. "Hoje, quem dita os preços são as refinarias que o governo anterior vendeu no Nordeste e no Amazonas. Precisamos ter uma distribuidora pública", acredita.
Para ele, é inviável aumentar o preço do frete na mesma proporção da alta dos combustíveis, diante da pressão que isso pode gerar nas cadeias de abastecimento. "Protocolamos um pedido de apuração no Ministério da Justiça para que se investigue essa especulação, pois a Petrobrás não aumentou seus preços", informa sindicalista. De acordo com ele, algumas empresas já não estão nem embarcando mais mercadorias porque o custo não compensa.
Rodrigues garante que já existem caminhoneiros parados em todo o País, que não têm nem como voltar pra casa agora por conta dos altos preços atuais do diesel, ante os baixos preços do frete. "Tem empresa do agronegócio que até quer reduzir o preço do frete em R$ 29 por tonelada, mesmo com a alta do diesel, e muitos caminhoneiros chegaram a descarregar o produto", conta.
Proprietário de um caminhão que presta serviços de mudança, o caminhoneiro Cícero Alves da Assunção diz que ficou bem mais difícil trabalhar com este novo preço do diesel. Segundo ele, com o litro a R$ 8, será preciso elevar o preço por quilômetro rodado de R$ 5 para R$ 7. "Se não for assim, não dá para cobrir os custos do serviço. O cliente vai reclamar e a procura pelo serviço vai diminuir. O efeito de uma guerra tão longe chegou na gente aqui", lamenta.
Agricultura
A produção agrícola também já está sendo afetada porque o chamado transportador revendedor retalhista (TRR), que vende para pequenos e médios consumidores, como fazendeiros nas propriedades rurais, além de subirem muito os preços, também não estão tendo produto. "Com isso, o agricultor precisa ir para o posto, o que eleva o consumo nos revendedores, principalmente nas cidades de grande produção agrícola", alerta.
Como a forte alta no preço do óleo diesel ocorre numa época de colheita da 1ª safra e plantio da safrinha, quando cresce a demanda por diesel no campo, a Federação da Agricultura no Estado de Goiás (Faeg) protocolou uma representação junto ao Procon Goiás pedindo uma apuração imediata sobre o aumento. De acordo com o documento, em poucos dias, os produtores passaram a pagar até 60% a mais pelo combustível, justamente em um momento crítico para o calendário agrícola.
O gerente técnico da Faeg, Edson Novaes, informa que a entidade vem recebendo, há alguns dias, reclamações de praticamente todas as regiões sobre o aumento. Segundo ele, produtores que pagavam entre R$ 5,32 e R$ 5,39, entre os dias 21 de fevereiro e 1º de março, agora já estão pagando entre R$ 7,70 e R$ 8,50, aumentos que chegam a mais de 60%.
"Isso já está impactando nos custos e há até dificuldade de disponibilidade dos produtos porque os TRR e distribuidores estariam retendo para conseguir valores mais altos depois."
Para Novaes, o aumento é injustificável porque a Petrobras, que responde por 70% do abastecimento interno, não reajustou seus preços. "Pedimos uma apuração imediata junto às distribuidoras, transportadores e postos por supostos preços abusivos para coibir essa prática injustificada, que já está gerando prejuízo grande aos produtores", ressalta.
Ele também acredita que, se os aumentos persistirem, logo irão afetar também o preço do frete e outros elos das cadeias produtivas, até chegar ao consumidor final. "Como só 30% do diesel é importado, parece um processo especulativo de antecipação de reajuste, pois nem o aumento internacional do preço do petróleo justifica isso", alerta.
O governo federal acionou o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) para apurar as causas do reajuste. Ontem, o Procon Goiás visitou 15 distribuidoras em Senador Canedo, pedindo informações. O balanço da operação será divulgado nesta quarta (11) pelo órgão.
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