PF abre inquérito sobre vídeos de ódio às mulheres no TikTok

Conteúdo misógino, que mostra homens simulando agressões físicas, facadas e tiros caso tenham suas investidas rejeitadas, viralizou nos últimos dias
Por O Popular
Data: 11/03/2026
Trend em rede social se baseia em simulação de agressões e tentativas de homicídio contra mulheres (Reprodução/TikTok)

A Polícia Federal abriu investigação sobre uma trend (tendência, em português, conteúdo com grande popularidade) de vídeos na rede social TikTok com apologia à violência contra a mulher. Em nota, a corporação informou ter recebido denúncias contra essas publicações.

A PF também solicitou à plataforma a preservação dos dados e a retirada desse material. Durante a análise, os agentes identificaram mais vídeos relacionados ao tema, que também foram reportados e removidos. A trend "Caso ela diga não" mostra homens simulando socos, chutes e facadas em mulheres se ocorrer recusa de suas investidas amorosas. Na segunda-feira (9), a Advocacia-Geral da União (AGU) anunciou que tinha acionado a PF para investigar o caso.

Segundo a AGU, os vídeos tiveram origem em quatro perfis do TikTok. O conteúdo foi retirado, e os criadores podem responder por incitação aos crimes de feminicídio, ameaça, lesão corporal e violência psicológica contra a mulher.

Em nota, o TikTok informou que os vídeos violam as Diretrizes da Comunidade e foram removidos da plataforma. Além disso, a plataforma disse que a equipe de moderação busca identificar possíveis conteúdos violativos sobre o tema.

Esse tipo de conteúdo misógino, que é de ódio contra mulheres, vem ganhando força em grupos da "machosfera", redpills e incels. Nessas comunidades, homens que se dizem injustiçados pela sociedade e pelas mulheres pregam violência e discriminação de gênero.

Criminalização

Militante da Articulação de Mulheres Brasileiras, Eunice Guedes, também professora da Universidade Federal do Pará (UFPA), explica que o discurso misógino ganhou força nos últimos anos. "Mas ele não tinha tanta voz, tanto acesso às mídias corporativas, a recursos financeiros, a setores governamentais. E, de uns tempos para cá, talvez a gente poderia dizer de uns dez anos para cá, isso tem se acirrado ainda mais".

A pesquisadora ressalta que o País precisa de leis que criminalizem a misoginia, para que haja punição. "Mas a sociedade toda também deve combater essa cultura violenta", diz. "Que a sociedade se aproprie desse arcabouço jurídico, dessa situação e desse cenário. A sociedade e as suas diversas organizações. Não basta só a punição, a gente precisa pensar em prevenção, em mudança de paradigmas, em mudança de culturas, em mudança de concepções".

Esse tipo de conteúdo surgiu no momento em que cresce o debate sobre o aumento da violência contra mulheres no País. Dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que o Brasil registra atualmente quatro feminicídios por dia.

Como denunciar

É possível pedir ajuda e denunciar casos de violência doméstica e contra a mulher na Central de Atendimento à Mulher -- Ligue 180, um serviço gratuito que funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana. O serviço está disponível também no WhatsApp: (61) 9610-0180 e pelo e-mail central180@mulheres.gov.br.

Denúncias de violência contra a mulher também podem ser apresentadas em delegacias especializadas de atendimento à mulher (Deam) ou em delegacias comuns e nas Casas da Mulher Brasileira. Ainda é possível pedir ajuda por meio dos números Disque 100, que recebe casos de violações de direitos humanos, e 190, de ocorrências policiais.

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