Mercado imobiliário da capital recua 2% em 2025
Goiânia fechou 2025 com pouco mais de R$ 8 bilhões em imóveis vendidos, uma queda de 2% sobre o volume comercializado no ano anterior. A redução é considerada um equilíbrio pelo mercado imobiliário, diante do cenário de juros elevados ao longo do ano passado e do forte crescimento nos últimos anos. Para 2026, a expectativa é de que a redução das taxas e de instabilidades políticas e do mercado de capitais tenha impactos positivos, com o aumento da procura por imóveis.
Pelo segundo ano consecutivo, mais de R$ 8 bilhões em imóveis foram vendidos em Goiânia. Em 2024, o mercado imobiliário já havia registrado recorde de vendas dos últimos 15 anos, com R$ 8,2 bilhões comercializados. Em 2025, apesar dos juros altos, o setor se consolidou mantendo um volume expressivo de vendas, de acordo com a Associação das Empresas do Mercado Imobiliário de Goiás (Ademi-GO).
A capital também registrou uma redução de 6% no número de lançamentos, na comparação com 2024, que somaram R$ 8,9 bilhões, o que, segundo a entidade, também indica uma estabilidade do mercado. Para o presidente do Conselho da Ademi-GO, Fernando Razuk, essa queda nos lançamentos também ajuda a explicar o recuo nas vendas, já que os novos empreendimentos movimentam mais o mercado, por meio da publicidade e, consequentemente, atraem a atenção de mais compradores.
Para o presidente da Ademi-GO, Felipe Melazzo, o fato de a capital ter registrado R$ 8,1 bilhões em vendas, pouco abaixo do desempenho registrado em 2024, mesmo em um cenário adverso, de juros muito altos, demonstra como o mercado de imóveis na capital mudou de patamar e que há um equilíbrio.
Uma prova disso foi a grande evolução em um curto espaço de tempo. O diretor de pesquisas e estatísticas da Ademi-GO, Credson Batista, lembra que o mercado teve um incremento de cerca de 50% de vendas em um intervalo de apenas três a quatro anos. "Em 2021 e 2022, Goiânia registrou vendas de R$ 5,4 e R$ 5,7 bilhões, respectivamente. Em apenas três anos, o mercado subiu para o patamar de R$ 8 bilhões", destaca.
Segundo ele, esse dado reforça que o mercado de Goiânia tem crescido de maneira consistente e saudável. "Vejo estes números como muito positivos porque, em 2024, tivemos o maior volume de vendas da série histórica. O desempenho em 2025 demonstra estabilização, pois é normal ter pequenas variações depois de um longo período de forte alta", avalia.
Batista completa que a queda no número de lançamentos também impacta o volume de vendas, pois eles ajudam a movimentar mais o mercado com publicidade. E diz que o fato de Goiânia ter mantido um elevado patamar de vendas, mesmo com todos estes fatores, demonstra a força do mercado na capital. Para 2026, ele informa que os bancos já sinalizam uma baixa na taxa de financiamento imobiliário e a perspectiva é de incremento das contratações por conta do novo limite do SBPE, que subiu para até R$ 2,2 bilhões.
Procura elevada
Outro ponto importante, segundo ele, é que o mundo vive um momento de muita instabilidade e o investidor tende a buscar mais a segurança no investimento em imóveis, gerando uma tendência de um ano muito bom de vendas. "Com a valorização do metro quadrado se mantendo em alta, por vários motivos, como as mudanças no Plano Diretor, a procura também deve se manter elevada", prevê.
A pressão nos custos de produção, intensificação da demanda e impactos da reforma tributária tendem a fomentar o aumento no preço de imóveis. De acordo com o diretor de pesquisas e estatísticas da Ademi-GO, a valorização na capital segue expressiva. Em 2025, o preço médio do metro quadrado registrado em Goiânia para os imóveis residenciais foi de R$ 10.531, um crescimento de 13,4% com relação a 2024.
"De 2021 a 2025, o preço praticamente dobrou em Goiânia, saindo de R$ 5,6 mil para R$ 10,5 mil. Estamos em um ciclo de quatro anos de valorização de dois dígitos: 18% ao ano em 2022 e 2023 e de 17% em 2024", lembra. Esses dados consideram apenas o valor de comercialização dos imóveis, ou seja, a média do valor do metro quadrado ofertado na capital. "Além do ganho de valorização, os compradores têm um ganho adicional com a rentabilidade mensal dos aluguéis, o que torna ainda mais atrativa essa aquisição", completa.
O estoque de imóveis disponíveis em Goiânia subiu de 10.359 em 2024 para 12.067 no ano passado. Um dos destaques foi o incremento da oferta de unidades dentro do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), que fechou 2025 em 2.651 imóveis, contra apenas 1.333 no ano anterior, apesar desta faixa ainda representar apenas 22% do estoque total da capital. O índice é considerado muito baixo, se comparado à média nacional, já que 50% das unidades vendidas no País em 2025 estavam no programa.
Para 2026, segundo a Ademi-GO, as perspectivas indicam um grande aumento na demanda por lançamentos de produtos dentro do programa. Para o presidente da entidade, Felipe Melazzo, esse incremento da oferta de habitações do MCMV foi resultado de fatores como o ajuste necessário no teto do programa, promovido pelo governo federal e a aprovação da Lei de Habitação de Interesse Social (HIS) em Goiânia.
"Agora, começamos a ver os frutos dessas medidas conjuntas. Queremos levar mais moradias de interesse social para a nossa população e, por isso, continuamos ativos nas discussões da regularização destes imóveis no Plano Diretor de Aparecida de Goiânia", informa. Melazzo reforça a importância da tramitação rápida de processos relacionados às moradias de interesse social dentro do poder público para que, de fato, os benefícios da lei cheguem à população e facilitem a aquisição de sua moradia.
"A demora no processo de legalização de novos empreendimentos preocupa a associação em função de uma eventual queda no número de lançamentos, o que pode impactar toda a cadeia produtiva da construção civil, na geração de empregos, por exemplo", adverte. Ele lembra que a prefeitura tem a expectativa de entregar cerca de 15 mil unidades de interesse social.
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