Estado vai na contramão do restante do Brasil e registra mais alunos estudando na educação básica
Nos últimos dez anos, o número de matrículas na educação básica em Goiás tem apresentado aumento, indo na contramão do cenário nacional. Dados do Censo Escolar 2025 mostram que o crescimento no estado é impulsionado especialmente pelo Ensino Infantil e anos iniciais do Ensino Fundamental (1º ao 5º ano). Em contrapartida, os anos finais do Ensino Fundamental (6º ao 9º ano) e o Ensino Médio, além da educação de jovens e adultos (EJA), tiveram queda no mesmo período.
Divulgados na quinta-feira (26), os dados do Ministério da Educação (MEC) e do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) mostram um cenário de queda em todo o Brasil. Em 2015, o País mantinha 48,8 milhões de estudantes na educação básica. Já no ano passado, foram contabilizados 46 milhões. A redução ocorreu especialmente na rede pública, que saiu de 39,7 milhões para 36,7 milhões. Enquanto isso, na rede privada, houve um leve aumento, de 9 milhões para 9,2 milhões.
No Estado, os dados são no sentido contrário. Enquanto houve um aumento de 1,4 milhão, de 2015, para 1,5 milhão de matrículas, em 2025, o crescimento ocorreu justamente na rede pública: de 1,1 milhão para 1,2 milhão. Na privada, por outro lado, caiu de 296 mil para 276 mil, no mesmo período. Considerando ambas as redes de ensino, a educação infantil foi a que mais cresceu. Nesta etapa, que engloba a creche e pré-escola, houve um acréscimo de 37%, saindo de 206,8 mil para 283,5 mil.
Nos anos iniciais do ensino fundamental, o crescimento foi mais tímido, de 2,2%. Em 2015, 489,4 mil estudantes estavam matriculados nesta etapa. Enquanto em 2025, 500,2 mil. Já nos anos finais do ensino fundamental, a queda foi de 5,5%, de 397,5 mil para 375,4 mil em uma década. O recuo foi ainda maior no ensino médio, etapa considerada a mais difícil em termos de retenção, com 6,7% de redução, de 256,2 mil para 238,9 mil.
O Censo Escolar demonstra ainda a queda acentuada na Educação de Jovens e Adultos (EJA), destinada a quem não concluiu a educação básica na idade adequada. Em 2015, eram 58,7 mil alunos, passando para 46,5 mil no ano passado, ou seja, uma redução de 20,7%. O levantamento também agrupa dados da educação profissional, integrada a alguma das etapas de ensino, com um crescimento abrupto: de 39,9 mil para 197,5 mil, um aumento de 395%.
Para o doutor em Educação e professor da Faculdade de Educação da Universidade Federal de Goiás (UFG), João Ferreira de Oliveira, há hipóteses para o cenário no Estado ser diferente do nacional. Uma delas é que Goiás é polo de atração para migrantes de outros estados. Há ainda as políticas de permanência no ensino médio do governo federal e estadual, que poderiam estar impactando o crescimento na rede pública, ou mesmo a intensificação do ensino integral.
Para a educação infantil, Oliveira pondera que pode estar havendo um aumento de oferta de vagas pelos municípios, que detêm a responsabilidade por esta etapa. Enquanto isso, na EJA, a redução pode estar relacionada tanto à queda no número de estudantes aptos quanto à oferta de vagas. "As secretarias de educação do Estado e municípios estão diminuindo a oferta, e isso é uma realidade", comenta.
Brasil
Durante a divulgação dos dados, o coordenador de Estatísticas Educacionais da Diretoria de Estatísticas do Inep, Fábio Pereira Bravin, apontou que a redução não é um problema, justificando ainda que o atendimento educacional tem aumentado, mesmo com essa queda. Conforme ele, os dados também são explicados pela diminuição do total da população em idade escolar, especialmente entre 0 a 4 anos e 15 a 17 anos.
O ministro da Educação, Camilo Santana, também defendeu que os alunos estão repetindo menos e, portanto, não estão "atrasados" nos estudos. "Antes, a retenção inchava o sistema. Passando ano a ano, à medida que eu reduzo a distorção idade-série e dou oportunidades aos alunos que estão atrasados para eles concluírem, eu reduzo o número de matrículas", disse.
Para o docente da UFG, a queda tem chegado ao limite. "O Brasil tem se mantido em uma queda, mas isso não é algo que pode se manter indefinidamente."
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