Ausência de Mabel e tumulto marcam volta dos vereadores
O retorno dos trabalhos na Câmara Municipal de Goiânia, nesta quarta-feira (25), foi marcado pela ausência do prefeito Sandro Mabel (UB) e a circulação de diferentes versões sobre o motivo do seu não comparecimento, em sessão ordinária que contou ainda com a presença de manifestantes na galeria do plenário, mobilizados por representantes da oposição ao Paço.
Inicialmente, havia previsão de o prefeito ir à Casa participar da abertura do ano legislativo . De acordo com o líder do governo, Wellington Bessa (DC), Mabel não foi por estar em viagem a São Paulo. Em suas redes sociais, o prefeito publicou que chegou a Goiânia pela manhã, depois de compromisso em São Paulo, e foi direto para agenda no polo moveleiro do Jardim Guanabara, a fim de acompanhar de perto "o potencial de um dos setores mais tradicionais da nossa economia".
Informações que correram entre os parlamentares pela manhã chegaram a conjecturar que o prefeito teria ido à Câmara, mas desistido de participar da sessão diante do clima de oposição. O presidente Romário Policarpo (PRD) negou a versão de que Mabel teria estado no gabinete da Presidência, no início da manhã, e ido embora, e reforçou que o prefeito não esteve na Casa. Mabel foi representado pela vice-prefeita, Claudia Lira (Avante), que fez breve discurso. Auxiliares da Prefeitura também acompanharam os trabalhos no plenário.
A ausência do prefeito motivou questionamentos da oposição. Kátia Maria (PT), Fabrício Rosa (PT), Lucas Vergílio (MDB) e Luan Alves (MDB) reforçaram críticas a respeito da condução da gestão em áreas como Saúde e Educação, e fizeram queixas sobre o "descaso" do Paço em relação a planos de carreira para servidores. Independentes, como Coronel Urzêda (PL), atacaram a administração por problemas na zeladoria da cidade e na limpeza urbana.
O líder do governo buscou amenizar a ausência de Mabel e disse que o prefeito sempre teve relação "amistosa" com a Câmara. "Uma relação de parceria, muito respeitosa, então, fatalmente, ele estará conosco nos próximos dias, nas próximas sessões. Historicamente, nós já tivemos dezenas e dezenas de ausências, sem justificativa, inclusive, o que não é o caso. Então é natural", disse Bessa.
Nos bastidores, a avaliação compartilhada por vereadores da base aliada, sob reserva, foi a de que Mabel teve uma decisão "acertada" em não participar da sessão, uma vez que o ambiente mobilizado pela oposição poderia levá-lo a se exceder em algum momento - a exemplo de recentes participações tumultuadas na Casa, em prestações de contas, quando chegou a bater boca com manifestantes.
Os aliados também dizem que, na busca pela reestruturação do grupo governista, o Paço deve buscar amenizar o clima com a Câmara, evitando o confronto em conjunturas desfavoráveis, como seria o caso da sessão desta quarta.
Tumulto
As galerias da Câmara ficaram lotadas de manifestantes das áreas da Saúde e da Educação, que exibiram cartazes e faixas e entoaram gritos contra ações da Prefeitura nesses setores. Eles se mobilizaram até à Casa a partir de chamadas de oposicionistas e da expectativa de confrontar o prefeito.
Diante do tumulto que se desencadeava em vários momentos nas galerias, com vaias, gritos e assobios, a mesa diretora interrompeu os trabalhos em diversas ocasiões, pedindo silêncio e contenção para que a sessão pudesse prosseguir.
Por parte dos manifestantes, houve cobranças por planos de carreira para os servidores e queixas sobre mudanças contratuais de médicos, além de reclamações quanto às condições de atendimento nas unidades.
Pedro Azulão Jr. (MDB) e Tião Peixoto (PSDB) saíram em defesa da gestão e tiveram até rápidos bate-bocas com o público da galeria. Contudo, ambos foram vaiados pelos manifestantes em suas declarações.
Em meio à reestruturação da base, o presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), Luan Alves (MDB), anunciou a saída do grupo governista. Ele enfatizou seu engajamento e apoio aos projetos da Prefeitura ao longo do primeiro ano de gestão, mas alegou que, diante da falta de avanços e da solução de problemas, tomou a decisão de migrar para a oposição. Em entrevista, o líder do governo afirmou que a Prefeitura continua com maioria no colegiado.
Noutra frente, Lucas Vergílio (MDB) apresentou requerimento pedindo o reconhecimento formal da liderança da oposição na Câmara. Ele argumentou que o líder do governo já possui representação garantida na Casa e que o Parlamento não pode estruturar seu funcionamento interno de modo a fortalecer apenas o governo. Segundo Vergílio, se o regimento assegura a participação do líder governista nas comissões permanentes, deve haver, por isonomia, o mesmo direito à oposição. O pedido prevê que o líder oposicionista participe das mesmas comissões em que o líder do governo estiver incluído.
Impeachment
Anunciado desde o início do ano, o pedido de impeachment contra o prefeito pelo ex-líder do governo Igor Franco (MDB) foi apresentado na sessão. Entre os motivos, o emedebista alegou que o prefeito teria cometido pedalada fiscal.
Na tribuna, ele elevou o tom nas críticas à gestão, bateu na mesa, derramou um copo com água e derrubou papéis. Em seguida, pegou um boneco inflável que representava Mabel, o levantou e desferiu chutes, afirmando que o prefeito seria "chutado da cadeira".
Além de Franco, o deputado estadual Clécio Alves (Republicanos) também protocolou na Casa um pedido de afastamento contra o prefeito, baseado no argumento de que Mabel teria sido "omisso" em relação à situação da Saúde de Goiânia.
Integrantes da base aliado do Paço apontam que não há clima político para tanto e que os pedidos pela saída de Mabel não devem prosperar. Questionado sobre eles, o presidente da Casa apontou "naturalidade" e que os pedidos são "regimentais". "O impeachment, apesar de ser uma ferramenta política, de decisão política, não é uma ferramenta que pode ser apenas apresentada de qualquer forma", afirmou Policarpo.
"Existem regras que precisam ser cumpridas, detalhes que precisam estar presentes nessa peça. Isso será analisado com muita cautela pela Procuradoria da Casa antes que a mesa diretora tome alguma decisão sobre o andamento ou não desses processos", reforçou o presidente da Câmara.
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