Queda de criança de 9° andar suscita debate de comportamento infanto-juvenil

Menino de seis anos morreu após cair da janela do 9º andar de um prédio em Goiânia, na última quarta-feira (29)
Por O Hoje
Data: 01/12/2023
O menino caiu da janela do apartamento da avó, de uma altura de 29 metros, segundo a perícia | Foto: Arquivo Pessoal

A morte da criança após cair da janela do 9º andar de um prédio em Goiânia, na última quarta-feira (29), chama atenção para o comportamento infantil e cuidados com redes de proteção em apartamentos.

O menino de seis anos de idade estava no apartamento da avó – de onde caiu – e, após almoçar, pediu para descer no apartamento dos pais, que fica no 4º andar, para carregar o celular, de acordo com o relato do Boletim de Ocorrência (BO). Após a avó negar o pedido e dizer para que o neto fosse descansar no quarto, a criança entrou para o quarto onde a janela não tem grade de proteção. Minutos depois, a mulher entrou no cômodo, mas o neto já não estava mais no local. Ele havia caído de uma altura de 29 metros, segundo a perícia.

O caso segue sob investigação da Polícia Civil de Goiás (PC-GO), que informou ao jornal O Hoje, que a investigação é realizada de forma minuciosa e que a polícia investiga uma possível negligência. Na quarta-feira (29), os policiais foram ao apartamento onde o caso aconteceu, realizaram perícias e solicitaram exame cadavérico da vítima.

Ao analisar o caso, a psicóloga infantil Júlia Caixeta destaca algumas possibilidades que podem ter levado ao acontecimento, que estão atrelados aos comportamentos infantis observados nessa faixa etária. “Essa fase dos seis anos é uma fase muito comum da criança querer ser o centro das atenções, de querer chamar atenção, de ter dificuldade para escutar não, tanto dos pais quanto dos responsáveis”, explica. Nesse período da vida, é onde o humano começa aprender sobre os limites, uma vez que ainda não tem esse discernimento na mente, segundo a psicóloga.

Diante de uma resposta negativa, como foi o caso do menino, é comum que uma criança nesta idade fique com raiva, sentimento que pode ser expressado de várias maneiras. “Uma criança de 6 anos expressa raiva de maneiras variadas, pode ser através de mudanças comportamentais, isolamento, expressões faciais intensas, ou comunicando verbalmente sua frustração”, detalha. A partir desse sentimento, muitas vezes a criança pode fazer coisas perigosas, colocando em risco a sua saúde física e mental, segundo Caixeta. Desse modo, é importante que o pai ou responsável avalie o contexto desse sentimento e busque ensinar habilidades de regulação emocional.

A curiosidade é outra característica desse público, e isso também pode colocá-los em situações de perigo. “Às vezes ele pode ter pensado que pela janela iria para a casa dos pais, mesmo sem a permissão da avó”, comenta.

Telas

O uso excessivo de telas, especialmente em jogos, pode contribuir para diversos problemas, como sedentarismo, problemas de sono, isolamento social, e impactos negativos no desenvolvimento cognitivo e emocional da criança, segundo a psicóloga. Julia acrescenta ainda que essa prática pode levar à distração e falta de atenção ao realizar atividades importantes, e isso poderia potencialmente aumentar o risco de acidentes.

A orientação da especialista nesses casos, é que os pais ou responsáveis pelas crianças, estabeleçam limites saudáveis e promovam um equilíbrio entre o tempo de tela e outras atividades. “Não proibir totalmente pois no mundo em que vivemos a tela está em todo lugar, mas impor limites para utilizar”, pontua.

Redes de proteção

O Capitão do Corpo de Bombeiros Márcio Ferreira Magalhães destaca a importância das redes de proteção nas janelas e chama a atenção para a má conservação dessas redes para evitar acidentes, principalmente envolvendo crianças. “Elas realmente salvam vidas, mas é importante que tenham sido instaladas por uma empresa especializada que detenha as qualificações técnicas para fazer essas instalação”, explica.

O capitão alerta ainda para a validade da rede de proteção. Apesar de os fabricantes estabelecerem uma data de validade a partir de três anos, o Corpo de Bombeiros padronizou uma data, que não pode ultrapassar os cinco anos. “ Essas redes ficam expostas nas fachadas ao sol, à chuva,  e desgastam com o tempo. Então, após cinco anos, é fato que elas não terão a resistência mínima exigida, e devem ser trocadas”, afirma.

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